Profissionais do setor imobiliário reunidos no mês passado no evento Brazil GRI 2012 (Investimento e Desenvolvimento Imobiliário no Brazil) falam sobre 2012 e traçam perspectivas para 2013. Leia abaixo:

Leandro Abreu, diretor no Brasil da GID Internacional Group

2012
“A velocidade de venda mudou. Não que tenha ficado ruim, ela só se estabilizou. Voltou para uma velocidade mais sustentável a longo prazo.
De 2009 até o ano passado se vendia tudo muito rápido. E isso nem sempre é bom para os negócios. Agora, comprar terrenos está mais fácil. As empresas de capital aberto não estão no mercado fazendo leilão por eles. Então, acabamos fazendo mais aquisições e começando novos projetos. ”

2013
“O mercado vai começar a melhorar a velocidade de venda quando tivermos uma melhor equação no nível de alavancagem do consumidor (recursos comprometidos), que tem que baixar, para ele ter acesso ao financiamento. Assim, poderá comprar o imóvel para morar, que é onde enxergamos maior demanda.”

Martin Jaco, diretor de Investimento da BR Properties

2012
“Este ano tivemos o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro bastante reduzido. Isso implica em todos os segmentos imobiliários. O nosso, que é comercial, foi impactado diretamente. Menos crescimento, menos emprego, menos necessidade de área de escritórios para funcionários. Porém, não foi um ano ruim. A questão é que todos ficaram mal acostumados com o crescimento extraordinário. De uma hora para outra um aluguel de R$ 80 passou para R$ 140. É magnífico, mas não é sustentável. Então, se em um ano você tem um crescimento de 60/70 efetivo e no outro de 10%, parece pouco, mas não é. Este foi um ano bom.”

2013
“As perspectivas para 2013 são melhores que em 2012. Para o ano que vem o esperado é o crescimento do Brasil. Significa novas contratações, consumo aumentando e mais áreas de escritórios e galpões.”

Walter Cardoso, presidente da C.B. Richard Ellis

2012
“O mercado está vivendo um momento muito interessante. É um dos ciclos mais longos de alta que já vi. Começou em 2005 e perdura até hoje, porém, com sinais de fadiga. Então, você já tem uma demanda menor por conta da economia que andou muito mal no segundo trimestre e metade do terceiro. Acho que vamos terminar o ano muito bem.”

2013
“Acredito que o ano que vem seja igual. A liquidez no Brasil está ótima. O único problema é se tivermos uma tempestade financeira muito forte na China, nos Estados Unidos ou na Europa, que tem efeito aqui fora. Mas, sem isso, estamos equilibrados. Se começarmos a crescer 1,5% ou 2% não é um problema.”

Thiago Cordeiro, diretor Executivo da BTG Pactual (Retail)

2012
“Hoje, a massa de novos consumidores com poder aquisitivo maior e com crédito que tem se estendido em larga escala, faz com que os investidores imobiliários não tenham uma euforia muito grande com o mercado de retail.”

2013
“Em 2013/2014, você terá 81 shoppings em desenvolvimento. Isso adiciona ao mercado mais de 27% de área bruta locável. O que é bastante significativo. Mas a indústria deve continuar seletiva, crescendo em dois dígitos por mais alguns anos.”

Marcus Araújo, presidente da Datastore

2012
“Houve uma desaceleração nas vendas em todo Brasil. Mas isso não se deve à intenção de diminuição de compra a médio e longo prazos. Estimamos, através de pesquisas, que a intenção de compra está em 30% de qualquer alvo de renda, em qualquer cidade, em 24 meses. A velocidade caiu porque a tomada de decisão a curto prazo diminuiu mais de 30%. A vontade e a existência de compra existem.”

2013
“O próximo ano terá uma leve recuperação.”

—-
Post originalmente publicado em Folha.com.

 

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4 comments
  1. Muito bom!!
    Avaliações inteligentes e boas explicações para uma aparente “bolha” imobiliária que o mercado aparentava estar entrando.
    ” De uma hora para outra um aluguel de R$ 80 passou para R$ 140. É magnífico, mas não é sustentável. Então, se em um ano você tem um crescimento de 60/70 efetivo e no outro de 10%, parece pouco, mas não é.”

    Todos os incorporadores e profissionais de venda deveriam ter os pés n realidade, e não na euforia. Muitos investidores foram afastados do nosso mercado local por receberem promessas dessa euforia e hoje estão com capital imobilizado e as revendas não aconteceram conforme a maioria dos profissionais prometeram.

    Por isso que quanto mais o tempo passa mais as empresas éticas, honestas e experientes se mantém no mercado. Talvez não com um crescimento assustador como as demais que fazem a avalanche de argumentações e etc, mas, mantem-se sustentaveis e com negócios realistas. Mantendo sua carteira de investidores dentro da realidade e com as margens de retorno mantidas.

    1. Olá Altemir,

      Obrigado por contribuir para nossa reflexão. Precisamos estar atentos aos cenários para sabermos interpretar as variações do mercado e assim aproveitarmos melhor as oportunidades que estão postas.

      Nosso segmento caminha para um amadurecimento cada vez mais sólido e com isso vemos um crescimento sustentado. Como você bem analisou é preciso que saibamos vislumbrar o futuro com os pés fincados no chão, na realidade que nos desafia. É esta postura que irá nos diferenciar e nos estimulará a fazer um 2013 diferente e com resultados ainda mais expressivos e consistentes.

      Continue interagindo conosco, é sempre uma grande alegria conhecer um pouco mais da postura e do pensamento dos profissionais que hoje atuam no segmento imobiliário e aprender um pouco mais com esta troca de experiências.

      Abraços

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